sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Desvaneios com o aniversário próximo

(Bras Cubas às avessas?)
Eu queria poder ter escrevido antes de nascer. Não desejaria já nascer sabendo escrever, preferia somente poder escrever antes de nascer. Afinal todos se perguntam o que acontece depois da morte. Eu, honrando a tradição de ser do contra, me pergunto o que acontece antes da vida.
            É um paradoxo estranho, ninguém para pra imaginar de onde viemos, o que existia antes de nascermos, o que é coerente… O medo de deixar de existirmos supera o saber de que teve épocas em que simplesmente nós não existíamos.
            Queria poder escrever alguma coisa assinando com a data anterior ao do meu aniversário, uns três dias antes (como hoje), e colocar o ano do meu nascimento. Talvez eu recebesse um prêmio por ser um autor pré-nascituro (se é que existe essa designação).
            Agora me bateu outra curiosidade. Em nossa literatura vemos autores defuntos, autores póstumos, psicografias, e autores mortos não tão mortos assim; mas nunca me deparei com um autor pré-vida. Acho que seria interessante ler um ser que nem falar sabe, e nem garganta pra isso tem, se expressar.
            Eu se pudesse ter sido esse primeiro pré-vivo(ou pré-nascituro) iria escrever sobre a guerra fria… Sim, afinal nada mais justo a alguém que almejava alcançar o posto de vivo, falar sobre guerra nuclear e o topete radioativo do John F. Kennedy (e vocês achavam que era laquê… HÁ).
            Ou melhor, me imaginar encima do muro de Berlim enquanto este estivesse sendo quebrado e gritando bêbado qualquer grunhido, ou seja, falando em alemão, e rindo da cara de uns comunistas que ali perto bebiam vodka porque haviam desistido de ir atrás dos vândalos que quebravam seu lindo paredão.
            Aliás, a cena devia ter sido engraçada, pena que na época eu não tivesse olhos para ver, mas eu acharia engraçado da mesma forma. Guardas vestido com aquele chapéu estranho estampado com a foice e o martelo, bêbados (como se fosse novidade) correndo de um lado pro outro tentando impedir um monte de alemães furiosos de unir famílias.
            Coitados, deveriam ter aprendido a lição que alemães quando colocam uma coisa na cabeça, só na base de muito chucrutes (e bier) para tira-la; os franceses que o digam  na guerra Franco-Prussiana, os poloneses também aprenderam isso, mas os bolcheviques tinham muito álcool (e inverno) para aprenderem essa lição (e daí não terem aprendido).
            Lembrando de fatos que aconteceram antes de mim, e poderia ainda dizer sobre o Woodstock, a queda da bastilha ou aquela cena da Marlyn Monroe tendo o vestido levantado pelo vento, que eu concluo. Muitos querem uma vida eterna, mas eu, se fosse levado por essa nostalgia do que eu não presenciei, diria que queria uma historia eterna da qual conheceria todos os mortos, em um encontro histórico de um pré vivo com um defunto.
            Como disse no início eu queria um texto assinado em uma data anterior ao meu nascimento, e de fato, é assim que será feito (pelo menos no corpo do texto), fingimos então que essas palavras foram posta no papel em 20 de Novembro de 1990, através de pensamento e uma imaginação extremamente fértil.
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1 - Pois é, não sei se é aproximidade do aniversário, mas a criatividade fica surrealista ao extremo, ou talvez seja outro motivo…um motivo azul.
2- Bem, pra aqueles que não sabem (e eu não vou ser egocentrico dizendo que deveriam saber) meu aniversário é dia 23, aceito presentes ;)
3- Mordia a lingua e fiz um twitter, mas meu, na boa…eu acho que 144 caracteres não vão bastar. Ademais, o link : 
www.twitter.com/guilhermevarga
4- É, as coisas espontaneas são as melhores…fato. :D
5- Preciso de férias, fato.
“Well it’s a big big city and it’s always the same…”
Guilherme” Varga
20/11/2009