quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Geração


A água caia, as nuvens pareciam chorar de alegria, tristeza ou qualquer outro motivo... o razão é, que cientistas nunca conseguiram dizer, mas todos sabem, nuvens são emotivas. E essas lágrimas batiam no asfalto negro, formando poças dentro dos buracos, e rios próximos ao meio fio.
            A criança correndo da mãe achou aquela cena magnífica, sentindo-se uma desbravadora da vizinhança, era Colombo, era Cristovão, era civilizado, e de um pulo caiu dentro da poça de lama formada nos barrentos buracos esculpidos cuidadosamente pelas rodas dos carros e pela atenção governamental.
            A mãe aflita limpava a mão no avental, com uma cara de raiva e uma mistura de sentimento de compaixão. Riu. Ia fazer o que? Afinal, seu filho era o descobridor das profundezas urbanas, era o chefe de toda uma geração... e logo ela, fez a bandeira da nova descoberta, um avental marrom e branco, uma nova cor para uma nova antiga infância.
            Enquanto isso, ele observava o carro, a chuva caindo sobre o mesmo e o metal respondendo as batidas com um ruído peculiar, mas confortante. Logo se cansou, sentou-se em frente do computador, pensou em escrever algo, pensou em dizer algo, “ahh deixe pra lá”.
            Levantou-se, foi à cozinha, abriu uma garrafa de refrigerante, lavou um copo na pia, pôs o liquido dentro do recipiente de vidro e tomou de um gole só. Sentiu a garganta sendo cortada pelos gases próprios da bebida, sorriu de leve, mas logo sentiu  preguiça ao olhar a pia.
            Uma arte abstrata, digna de Marcel Duchamp, desenhava-se ali, pratos com talheres dentro de copos com manchas de gorduras e algumas cores enquanto uma bomba de chimarrão se apresentava imponente como um arranha-céu a caminho da torneira, e esta, uma simples válvula mostrava-se a mais elevada das criaturas, a imagem da divindade dos azulejos brancos.
            Deixou o copo completando a arte moderna em seu museu particular, voltou a janela, sentiu-se entediado por aquela água caindo, por estar trancafiado atrás de uma janela, mas pensava que tudo era lindo, que tudo era maravilhoso, assim como a canção daquele poeta baiano.
            Chegou a pensar que talvez a Bahia fosse linda, mas e quando chovia? Não sabia  responder. Aliás, lembrou que nunca havia passado pela Bahia, fez disso sua meta até os trinta anos. Até lá iria aprender a tocar berimbau e lutar capoeira. Quando reparou, lá estava ele dentro de uma circunferência, indo novamente pra frente do computador, pensando em escrever algo.
            E assim se foi, no termino que nunca termina... E assim se foi, simples dessa forma, mais um dia de chuva, só isso...
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1- Prova de penal, utopia de sexta...tá longe.
2- Franca tá realmente chuvosa.
3- Dizem que a geração Y é sem dúvida a mais entediada de toda historia. Alguma voz contrária?
4- Começamos o mês bem, com postagem, tudo bonitinho, falta a freqüência...
5- Sem mais.


"Viva a Bossa, sa, sa; Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça..."


Guilherme" Varga