segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Assim como pensava Goethe.


Ele andava na rua, na escuridão, pensava em mil coisas e no final não pensava em nada. Pensava que a noite estava fria, que o mundo era uma grande laranja giratória e que ele estava um bagaço humano. Suas pernas doíam, seus joelhos já gastos diziam “Cara, pare de andar”, mas sorria ao passar por bares da noite com suas senhoras da vida e suas marcas de expressões.
            Uma até chegou a encarar seus olhos que estavam atrás dos óculos redondos, ele chegou a parar, e em poucos minutos se comunicaram com o pensamento, nenhuma palavra saiu, nenhuma boca se abriu, nenhuma mandíbula rangeu e nem os dentes se bateram. Tudo em palavras imaginativas que logo tomavam forma na cabeça dele.
- Oi, tudo bem?
- Ótimo e com você? Bonitinho, faço por quinhentos cruzeiros...
- Pode ser dois cruzeiros e um café no final?
            E nisso dando risada de sua própria mente (e sorte) saiu a caminhar, com passos curtos, com as pernas curtas que os Deuses haviam lhe conferido. Começou a fazer frio, colocou uma das mãos no bolso do blazer e um arrepio lhe tomava a espinha.
            Um mendigo, daqueles clássicos que dormem encima de um papelão com suas barbas de sabedoria e seus roncos, uma garrafa de pinga ao lado e um cobertor ralo nas pernas. Pensou que poderia conversar com aquele senhor, saber do seu passado, da sua vida, de seus filhos ou filhas...até mesmo se uma dessas fosse bela, tomar-lhe a mão e outras partes do corpo para junto de seu ser.
            Por um minuto, aquele senhor deitado lembrou-lhe velhos profetas, não falo de Moises, falo de Abrãao que revoltado por ter povoado um mundo que hoje vive em guerra decidiu virar um ermitão, um ser isolado, ele, seu cobertor e uma garrafa de cinqüenta e um.
            Mas não, achou melhor nem mexer com o pobre velho, pensou que se estivesse no lugar de tal, não iria querer um jovem adulto que não tinha nem um tostão pra cerveja lhe aporrinhando o saco. É obvio, pensou em pegar a pinga e sair correndo, por mais que sua veia universitária pedisse que fizesse isso, isso sim seria uma crueldade maior, maior mesmo que acordar o pobre senhor.
            Continuou caminhando, passou por um terminal vazio, imaginou como estaria lotado de ônibus e pessoas apressadas na segunda feira, e se viu como um vagabundo que dormiria até o meio dia para só a tarde pensar em estudar.
            Passou por uma ponte, daquelas antigas feitas com pedra e óleo de baleia, pensou quantos já não passaram por aquele chão, quantas carruagens da época do império não pararam ali. Aliás, pensava se D. Pedro II não havia caminhado sobre aquele chão, ou se seu avô não tivesse chutado umas pedrilhas por ter tomado um toco de sua avó.
            E nessa tormenta de pensamentos, parou, olhou para o lado e pensou como seria bom uma companhia feminina caminhando ao seu lado, principalmente pelo frio que fazia, pela chuva que começava a cair...
            Parou em frente a uma casa, sentiu um belo aroma e tinha certeza que não era de terra molhada, de dentro saiu uma bela moça com cabelos escuros e olhos escuros. “- Estava inquieta no meu quarto, não pude deixar de vir aqui.”
            Ele sorriu, seu pensamento se fez matéria...
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1- Então...pra quem pensou que eu não iria postar, mais em uma tentativa de surpreender do que de postagem de fato, aqui está.
2- Haha, é, eu não consigo entender, fato, o mundo dá voltas, meu amigo...mentira, você que bebeu demais.
3- "Uma alma pode ter influência decisiva sobre outra por meio de sua presença silenciosa, da qual posso relacionar muitos exemplos. Em geral acontece comigo, que quando estou caminhando com um conhecido e, se tenho uma imagem viva de alguma coisa em mente, ele de súbito começa a falar da mesmíssima coisa." (Johann Wolfgang von Goethe)
4- Não fiquem acanhados, podem comentar, ganham até pontos por isso, olha só que legal... haha
5- .

"Break on through to the other side."

Guilherme" Varga


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Ponto de Ônibus


Chovia absurdamente. Os céus pareciam desabar sobre as cabeças dos pobres mortais que ali ficavam ensopados, xingando todos em coro São Pedro por essa benção logo em uma segunda-feira de manhã.
            Cabe fazer uma ressalva no todo. O todo aqui tem sua parte diferente e lá estava, visto de cima, um pequeno ponto em meio aquela aguaceira toda. O menino de guarda chuva preto ali estava como uma raridade em meio a tantos esquecidos e cabeças molhadas. Estava ali a rezar que um ônibus parasse naquele ponto e se parasse tivesse como destino o centro da cidade.
            Exceções nunca se fazem únicas, por uma estranha lei cósmica de atração trazem consigo outras exceções que no final viram regra. Aquela parada de ônibus, vista de cima, adquiriu um novo ponto colorido, colorido de alguma cor que esse autor não se recorda qual era, azul ou rosa, quem sabe... (e isso não importa).
            Uma guria com uma guarda chuva. Simples e imprevisível assim. Isso era coincidência demais para um dia em que o noticiário meteorológico previu Sol. Ela estava ali com um guarda chuva tal qual ele estava e bem próximos. Um ônibus parou e dois lugares no banco da parada vagaram.
            Ele logo foi ali e sentou, confortando seu traseiro da melhor forma que pôde.
- Posso me sentar aqui? – Ela perguntou fechando seu guarda chuva. Ele simplesmente deu espaço em forma de um sorriso discreto de canto de boca.
            Ela era mais alta que ele, talvez uns cinco a dez centímetros (e não perguntem como mediu); tinha olhos negros expressivos tão quão olhos claros são, mas com o charme do mistério. Sorriu de volta ao gesto gentil do garoto, um sorriso belo, encantador na definição do guri; e conhecido...
            Ele olhava para o teto, reparava no suporte de lâmpada sem corpo que o ocupasse. Ficava reparando no barulho ritmado e insistente que a janela fazia quando o ar lhe empurrava. Não importava, era daqueles que não conseguia utilizar quatro sentidos ao mesmo tempo, era um homem na concepção do termo, só conseguiria olhar, sentir o cheiro e o tato.
            No olhar reparava além do suporte de lâmpada vazio algumas pequenas rachaduras no teto, já no olfato tudo era o cheiro dela e no tato suas pernas entrelaçadas, abocanhadas pelas dela.
            Por um momento tudo era ela, claro e piegas assim. Ela dormindo ao seu lado com a cabeça encostada no ombro dele em um encaixe perfeito, suas pernas pesando sobre as dele e sua respiração sendo sentida por ele.
            Nisso começava a entender o porque de tantos poemas e escritos com rimas fracas de escritores comuns, tanta idolatria em relação ao amor e principalmente a uma singela noite de sono com a companhia de uma mulher ao lado.
            Mesmo assim pensava que precisava ir, precisava deixá-la descansar.
- Não, não vai, fica mais – disse ela em um repentino despertar segurando ele como fazia tantas noites com seu travesseiro.
            Ele não titubeou em ficar ali, talvez era isso que esperava ouvir, um pedido para alongar aquele momento. Assim ficou ali, com uma cabeça encaixada em seu ombro e o braço dela sobre seu peito...
            Despertou de seus próprios pensamentos, um ônibus para uma cidade vizinha acabara de parar para o embarque de passageiros. – Eu vou nesse, até mais. – disse ela. Sem reparar, enquanto viajava em seus pensamentos ficou olhando para aqueles olhos hipnotizado, talvez ela devolveu o mesmo olhar encarando-o também, talvez não, isso nem o garoto nem esse autor pode dizer, ambos se perderam. – Tchau – pensou e ficou olhando ela subir no veículo.
            O motorista fechou as portas e o garoto do guarda chuva preto ficou a pensar que era ela! Era ela a garota do sonho...sonho do qual ele despertou noite passada.
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1 - InterUnesp - Well, isso que me faz ter orgulho de dizer, PORRA EU SOU UNESP.
2- Unesp Mato Grosso - O Pantanal é nosso, CHUPA SUL!
3- Alguém tem a receita para retornar a realidade do direito? Uma prova de financeiro segunda agora, talvez?
4- OH MIRO. Um abraço aos intrépidos incautos munícipes da acolhedoura Araraquara e seu cheiro de laranja.
5- e pra terminar... Hey, Bauru vai...

"Show me the way to the next whiskey bar..."

Guilherme" Varga