domingo, 29 de agosto de 2010

Das pernas às estrelas, o alívio.


Sentado, como não deveria ser diferente por sua condição, olhando as estrelas ficava a lembrar. O céu lhe parecia sorrir e estava tão belo quanto aquele que podemos ver da janela desse apartamento. Ele ficava ali contemplando aquela imensidão. Alguns diriam que aquele jovem só estaria admirando aquela beleza estrelar em um ato puro e inocente, do qual se dedicava exclusivamente a flertar com senhoras antigas da qual o brilho lembra astros de um cinema grande, profundo e gratuito.
            Ouso, perdoem-me a intromissão, discordar destes que acreditam na pureza do ato. Não, queridos leitores, não creio que aquele garoto, sentado lá fora, a beira da piscina estava apenas olhando o céu, deixando sua mente vazia e límpida igual um rio de águas claras. Isso é uma utopia que dezenas de escritores antigos, talvez por um idealismo ou talvez por bobice mesmo, quis enfiar-lhes goela baixo.
            Comparo aqui este caso com aqueles dos filmes de romance meloso no qual a mocinha e o rapazote (que as vezes podia ser uma coroa e tal rapazote um velho) se beijam e se olham em uma pureza de sentimento, do qual não existe. Ao imaginar uma cena de dois adolescentes apaixonados se beijando, não existe a contemplação e a sensação do beijo unicamente (o que não excluímos que ela existe, só não é única). Ele pensa que talvez estivesse com mau hálito ou que estaria a beijar mal; enquanto ela imaginava o momento posterior aquele beijo e se iria amanhecer grávida.
            E é assim que confesso minha descrença na pureza de atos simplesmente e da qual me baseio, igual se fosse cientificamente, a uma bibliografia, que aquele guri não estava simplesmente a embriagar-se das luzes noturnas. Digo que em sua cabeça passavam, neste instante, pensamentos de um passado do qual talvez nunca esquecerá.
            Era uma noite igual a esta que vemos no céu. A lua em seu momento egoísta se coloca no centro da imensidão azul, mas ingloriamente não podendo ofuscar o brilho daqueles astros velhos que aqui chamamos de estrelas. Estava Ele, Augusto, Pedro, Neto e mais um do qual não tinha contato maior, só sabia que era um amigo novo que Pedro trazia para o grupo e do qual a irmã era a maior gostosa da escola.
            Alias, devo dizer que o sonho dele era ter aquela bela menina, na flor de seus vinte anos, ou seja, mais velha o suficiente para não dar-Lhe bola, em sua cama. Mas não cabe aqui dizer de seus sonhos românticos, mas sim de seus pensamentos, e de seu passado, e de seu destino.
            Estava Ele e seu grupo, sua turma andando pela rua, já era tarde e passavam por um lugar do qual faria lembrar o sentido da palavra escuridão. Estavam conversando animadamente, estavam embriagados; tão embriagados que Augusto em um momento de graça abaixou as calças e saiu correndo tentando imitar um pingüim.
            E tamanha era a felicidade, tamanha era a juventude. Essa juventude que ao mesmo tempo traz luz, mesmo em locais escuros. Mas talvez, tamanhas luzes os cegaram para ver que não estavam no bairro mais tranqüilo daquela cidade.
            A cidade era relativamente grande, tinha lá seus trezentos mil habitantes e começava a despertar a cobiça de comércios ilícitos. Mas isso não interessava àqueles cinco jovens que mesmo assim brincavam e tentavam correr igual um pingüim.
            Nisso um barulho, um estouro seco ao longe. Augusto ainda continuava andando com as calças nos pés, e Pedro virou para o lado. Ele, aquele do qual estamos a revirar as memórias, caiu. Olhou para o céu e pensou que estava belo, mas não se lembrava de ver o céu vermelho antes.
            De suas costas saia em forma de correnteza o liquido vermelho cheirando ferro. Augusto parou sua brincadeira e, devido à embriaguez, demorou a entender a situação.  Neto, talvez o mais velho do grupo, correu para ajudá-lo. Uma bala perdida se encontrou em um lugar quente e vivo.
            Ele não sentia nada, o mundo parecia girar, e tudo que via era o céu. Não conseguia levantar, suas pernas não obedeciam, mas não se importou; sua embriaguez agora era diferente da do álcool, era quase que um encontro espiritual entre os vivos e os mortos.
            Aquele amigo de Neto do qual não lembrava o nome pegou o celular e ligou imediatamente ao resgate. Pedro e Augusto, por serem humanos e como todo humano pensar no próprio medo, imaginou seus pais e os castigos que levariam, mas após imaginado isso foi correndo ao amigo caído e que falava que as estrelas estavam lindas como os olhos azuis da irmã daquele amigo do qual não lembrava do nome.
            E depois disso, a única coisa que lembra era do som da ambulância e depois do choro de seus pais, e acordado, a sua perna dormente. Revoltara-se no primeiro instante, mas isso passou, agora estava debaixo daquelas estrelas, mesmo que em uma cadeira de rodas, mesmo que sem mexer um dedo se quer, estava embaixo daquilo que amava.
            Em um lapso de força, a mesma que fez Narciso se jogar no lago, mas agora devido a beleza do céu e não de si mesmo. Ele num esforço sobre-humano se jogou para frente com o braço em riste tentando alcançar as estrelas e deu de cara com o chão...
            Abriu o olho e viu pela janela uma fresta de luz. Balançou a cabeça como se tentasse acordar de vez. Olhou para o lado, olhou para o outro e viu seu armário. O celular ao lado da cama toca. Era Neto chamando-o para uma pelada de futebol. E ele, levantando-se para escovar os dentes, correu até o banheiro, lavou o rosto e foi colocar as chuteiras.
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1- Obrigado, SABESP...se eu fosse criança e não gostasse de banho, o agradecimento seria sincero.
2- Domingo...tédio...se o primeiro dia da semana já é assim, como serão os demais?
3- Normalidade as vezes me interessa...
4- UNSP chegando...é, vamos ver o que esse ano me reserva.
5- Sem mais.

"So if you're young and if you're healthy
Why not get a boat and come to Australia "

Guilherme" Varga

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ensaio sobre os Montes e a Lua.


Era noite de Lua cheia. Ela, a única a participar de um ménage à trois onde o ciúme não impera e do qual sobreviveu à anos e anos, estava imponente no céu, havia dobrado de tamanho e iluminava todas as almas; pobres almas, mortais invejosos que nunca chegaram a um relacionamento tão perfeito, tão absoluto, tão duradouro.
            Ele não se importava se ela estava lá, se sentia saudade de seu Sol ou se estava insatisfeita com a Terra, ele simplesmente a olhava. Um cigarro de palha na mão e um café do lado eram suficientes para ele, simples e modesto, se assustava como se contentava com pouco, mas no final sorria contente.
            Com um movimento angular do braço moreno levou o paieiro à boca, deu um trago mais longo do que o normal enquanto contorcia os olhos de leve. Divertia-se ao reparar desta mania e gostava disso toda vez, desde quando acontecia com o cigarro até a cerveja e ao beber água.
            Deixou a fumaça do fumo em seu pulmão por um instante e ficou a olhar a fumaça sair lentamente de sua boca. Achava curioso como a fumaça de um cigarro, de um incenso ou de um arguile era bela e trágica. Bela porque lhe lembrava as nuvens do céu, inalcançáveis por sua altura, mas com aquela fumaça lhe pareciam tão próximas; trágica por lhe lembrar as pessoas, as mais belas, que ao passar por sua vista desaparecem, evaporam de sua vida.
            Depois que toda névoa de tabaco dissipou, ficou olhando fixamente para a paisagem de sua janela. Ninguém andava naquela rua aquele horário, já eram altas horas e o único barulho que podia escutar era de sua própria respiração; e a única visão que poderia querer era aquela, daqueles montes a frente, verdes enegrecidos pelo véu da noite.
            Pensava se algum dia aquela paisagem acabaria, se aqueles montes em mar se transformariam, se a Lua, aquela tão imponente do começo desse relato, um dia se esconderia por de trás dos morros e das casas e das minas.
            “É provável... a Lua é uma mulher e mulheres, por mais que estejam satisfeitas por um longo tempo, um dia se tornarão insatisfeitas e quando este trágico dia chegar, D’us queira que este não chegue, mas quando chegar também irá abandonar todas as pobres almas masculinas da terra.”
            Isso tudo pareceu tonteira após voltar do céu e retornar ao seu café e ao seu paieiro que já havia acabado (ele nem notou que seu dedo quase queimou). Tomou um gole de café.
            Muita gente não aconselha tomar café antes de dormir, mas ele, como contrário as massas, como contrário a ele mesmo muitas vezes, decidiu tomar e tomando reparou que talvez fosse a solução à tristeza que sentia da despedida de cada dia, da tristeza que o dominava no amanhecer quando lembrava do dia anterior vivido...
            Mas mesmo com toda cafeína o sono ainda ganhou espaço, e os sonhos começaram-lhe a ser atraente e o luto pelo dia que morria dissipou aos poucos com a perspectiva de um sonho bom, de um Sol luminoso.
            Levou a caneca à cozinha, escovou os dentes, olhou no espelho, abriu um sorriso e deitou-se em sua cama ficando contente em ter a luz do luar como companhia.

“Sun, sun, sun, here it comes...” 
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1- Um conselho crianças: Andem de bicicleta...peguem uma ladeira e desçam, a liberdade mora no vento que bate em seu rosto.
2- Eu penso, quer dizer, eu sei...as coisas são simples, é isso.
3- O filme "A Origem", ouvi falar bem...alguém me confirma isso?
4- As músicas dos "Los Hermanos" fazem mais sentido agora...até o final da vida farão mais sentido ainda, não que eu espere, mas acredito nisso.
5- Prometo algo mais up amanhã, por enquanto preciso arranjar alguma desculpa pra minha insonia... acho que esse texto já começou a me ajudar nessa empreitada.

"He seemed impressed by the way you came in.
'Tell us a story,
I know you're not boring!'"

Guilherme" Varga

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os Deuses não são astronautas

Eu acredito que todo escritor tem dentro de si uma parte louca e outra megalomaníaca. Sim, e diria mais, a megalomania destes artesãos de palavras vai mais do que só se acharem grandes demais para que nada lhes acertem dentro de sua escrita (o que não me afeta, e isso se traduz na altura... humildade de berço). Não, isso não é limite.
            Diria que é uma “megalomania atéia”, daquelas em que Deus não existe, não naquele mundo que ele escreve. Tal mundo é seu, somente seu, fica dentro de sua própria cabeça e o destino, há, este não foge de suas mãos igual acontece a nós, pobres mortais.
            E citando nossas pobres almas leitoras, venho dizer que nós, enquanto espectadores de um mundo que foge do nosso controle, de palavras que nos levam as vezes forçadamente à cenas impróprias e muitas vezes de mal gosto (até porque qualquer cena da qual não queríamos que ocorresse, acaba tornando de mal gosto), somos todos masoquistas.
            Masoquistas ao ver coisas que não possuímos controle e mesmo assim, querer mais daquele mar de letras que podem nos afogar a qualquer momento, com alguma onda inesperada que acaba por derrubar a pequena jangada formada de papel que nos sustentam.
            Pobres fiéis que querem sentir a dor do papel, uma dor que não é sua, que é daquele senhor do século passado traído pela sua esposa, ou daquela mulher que sofria a espera do seu homem que vinha de além-mar e do qual, o autor já sabia, não iria mais voltar.
            E eles, os escritores, chegam ao ponto de serem cruéis, sádicos, nos deixam em plena expectativa, em uma curiosidade que nos corrói por dentro e molham nossos rostos com lágrimas quando querem, e muitas vezes, quando não queremos.
            Mas não os culpo por tudo isso, apesar deste lado megalomaníaco e sádico, devo elogiá-los; eles ainda nos proporcionam, quando estão em seu ápice de inspiração, momentos bons, paisagens agradáveis e sentimentos que talvez nunca sentimos (ou sentiremos).
            No final desse discurso, um tanto quanto protetor dos leitores contra os escritores e sua sina de nos levar por sentimentos através de palavras que nos deixam confusos e esperançosos sempre de algo; eu só posso concluir que tudo isso acaba com uma das maiores dúvidas da humanidade.
            Quem é Deus? Deus? Ele é um escritor.
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1- E no fundo, Deus sendo escritor escreve seu livro com uma gramática impecável, mas sua letra é tão ou mais torta que a minha...haha, não pude deixar de lançar o clichê
2- Meu Deus, Franca continua a mesma...
3- E o tempo sempre passa e voltamos ao status quo...o que não é tão ruim assim.
3- Há, é isso por hoje, companheiros... (estranho, cadê meu dedo mindinho?)

"My actions are dictated by the phase of the moon
The phase of the moon"

Guilherme" Varga

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Sra. Suíça Helvética

Certa vez, não me recordo aonde e quando, minha memória é péssima e por isso peço desculpa por não dar os devidos créditos, li que a Suíça teve quinhentos anos de paz e com isso só aprendeu a fazer relógios e lavagem de dinheiro. Algum engraçadinho levantaria a mão e diria “Há! Mas lá faz chocolate também!” Peço desculpa por acabar com sua ilusão, Papai Noel não existe e aquele chocolate que você deu pra sua mãe é de Gramado – RS.
Não minto que achei de uma certa maldade a frase, afinal… coitado daquele país, e de seus relógios e de seus bancos. Aliás, coitada da própria Suíça. Sim, dela mesma. Desde pequeno tenho a péssima (ou boa, depende do ponto de vista) mania de personificar coisas, objetos, países, palavras (e algumas vezes pessoas que deixaram de existir). E desta vez não foi diferente. Uma injustiça com a Suíça, uma senhora com um vestido de renda, olhos claros, loira e com umas gordurinhas a mais devido ao chocolate excessivo.
Vejo a como uma senhora já de idade avançada, mas fria. Por fora aparenta ter um calor de avó, aquela que sempre tem um pão ou um bolo saindo do forno para nos receber. Mas quando tirada as aparências, é uma senhora fria, amargurada pela vida, sempre encima do muro nas questões mais complicadas de sua existência.
Amargurada, pois ao invés de participar da vida, no máximo conseguiu ser espectadora de seus mil anos. Assistia tudo de cima do muro, balançando seus pés com um tamanco de madeira e olhando bombas passando por sua cabeça.
Às vezes penso que seria um exemplo de vida, e do qual eu deveria seguir, olhar a vida passivamente, controlando totalmente a impulsividade, limitar-me no meu campo de visão e de convivência. Saber que assim como os mil anos suíços, na vida passam pessoas e mais pessoas assim como nações formam-se e se desintegram, reinos caiem e imperadores morrem.
Mas é fato que não consigo ser assim… tenho um quê de belicoso, de vívido. Não sou indeciso e desde pequeno não consigo ficar somente encima do muro, aliás, nem mesmo subir em um muro eu conseguia direito (sedentarismo puro).
Voltando a Suíça, pobre senhora que não vive sua vida, mas da qual invejo por não fazer “besteiras” impulsivas e seguir em paz com toda sua caminhada.
Mas no final penso que talvez por mais “guerras” que passo, assim como qualquer outro país europeu além da Suíça, eu aprendo mais do que fazer relógios e virar paraíso fiscal. Além do mais, nos Alpes faz frio e o mar não lhes alcança…

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1- As eleições vão bem, aliás, excelente… temos um hipocondríaco, uma guerrilheira-bruxa, uma obcecada por árvores  e um louco formado nas Arcadas que quer fechar o congresso. Mas tudo bem, também sou hipocondríaco =]
2- Interunesp 2010? Há, sinto coisas boas sobre isso…
3- Quem precisa de twitter quando se tem isso daqui, exceto pelo fato que no twitter mais gente lê e menos gramática é solicitada.
4- O Mato Grosso me pareceu estranho, no céu nublado, o chão todo branco…se eu não soubesse que era poeira no céu, e algodão no chão, diria que fui pra Russia. Ah não, não dá mais, a Russia está mais quente que o Centro-Oeste.
5- Preciso de livros, aceito sugestões, presentes ou doações.
6 - http://migre.me/16iWp - A Elisa ainda tem razão sobre muita coisa, e eu deveria ouvi-la mais.
“A musa do pinóquio era bolchevista, A mais formosa melindrosa pega na suíça”
Guilherme” Varga