quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Geração


A água caia, as nuvens pareciam chorar de alegria, tristeza ou qualquer outro motivo... o razão é, que cientistas nunca conseguiram dizer, mas todos sabem, nuvens são emotivas. E essas lágrimas batiam no asfalto negro, formando poças dentro dos buracos, e rios próximos ao meio fio.
            A criança correndo da mãe achou aquela cena magnífica, sentindo-se uma desbravadora da vizinhança, era Colombo, era Cristovão, era civilizado, e de um pulo caiu dentro da poça de lama formada nos barrentos buracos esculpidos cuidadosamente pelas rodas dos carros e pela atenção governamental.
            A mãe aflita limpava a mão no avental, com uma cara de raiva e uma mistura de sentimento de compaixão. Riu. Ia fazer o que? Afinal, seu filho era o descobridor das profundezas urbanas, era o chefe de toda uma geração... e logo ela, fez a bandeira da nova descoberta, um avental marrom e branco, uma nova cor para uma nova antiga infância.
            Enquanto isso, ele observava o carro, a chuva caindo sobre o mesmo e o metal respondendo as batidas com um ruído peculiar, mas confortante. Logo se cansou, sentou-se em frente do computador, pensou em escrever algo, pensou em dizer algo, “ahh deixe pra lá”.
            Levantou-se, foi à cozinha, abriu uma garrafa de refrigerante, lavou um copo na pia, pôs o liquido dentro do recipiente de vidro e tomou de um gole só. Sentiu a garganta sendo cortada pelos gases próprios da bebida, sorriu de leve, mas logo sentiu  preguiça ao olhar a pia.
            Uma arte abstrata, digna de Marcel Duchamp, desenhava-se ali, pratos com talheres dentro de copos com manchas de gorduras e algumas cores enquanto uma bomba de chimarrão se apresentava imponente como um arranha-céu a caminho da torneira, e esta, uma simples válvula mostrava-se a mais elevada das criaturas, a imagem da divindade dos azulejos brancos.
            Deixou o copo completando a arte moderna em seu museu particular, voltou a janela, sentiu-se entediado por aquela água caindo, por estar trancafiado atrás de uma janela, mas pensava que tudo era lindo, que tudo era maravilhoso, assim como a canção daquele poeta baiano.
            Chegou a pensar que talvez a Bahia fosse linda, mas e quando chovia? Não sabia  responder. Aliás, lembrou que nunca havia passado pela Bahia, fez disso sua meta até os trinta anos. Até lá iria aprender a tocar berimbau e lutar capoeira. Quando reparou, lá estava ele dentro de uma circunferência, indo novamente pra frente do computador, pensando em escrever algo.
            E assim se foi, no termino que nunca termina... E assim se foi, simples dessa forma, mais um dia de chuva, só isso...
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1- Prova de penal, utopia de sexta...tá longe.
2- Franca tá realmente chuvosa.
3- Dizem que a geração Y é sem dúvida a mais entediada de toda historia. Alguma voz contrária?
4- Começamos o mês bem, com postagem, tudo bonitinho, falta a freqüência...
5- Sem mais.


"Viva a Bossa, sa, sa; Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça..."


Guilherme" Varga

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

E assim falou Moises...

E assim falou Moises... Não, por obsequio, não entendam errado, não falo daquele Moises que dividiu mares com um cajado. Não que nosso Moises não dividisse coisas, ele conseguia dividir, subtrair, multiplicar e somar...o que já era ótimo.
            Poderes místicos ele não tinha, nada que o fizesse flutuar. Um dia conseguiu por um milésimo de segundo separar sua sopa de letrinha em dois pequenos montes com as consoantes de um lado e as vogais no centro, no seco, igual todos em um sábado a noite em uma cidade do interior.
            Diziam que ele conseguia virar um copo de vodka, mas não, como tudo que se fala, era boato. Coitado do Moises, mal viraria um copo de cerveja, até porque achava um desperdício tamanha tonteira. Diziam também que ele jogava beisebol bem e fazia milagres quando estava com o bastão em mãos só no aguardo daquela bola curva acertar-lhe em cheio a testa.
            Não recebeu os doze mandamentos, nem treze, nem onze. Simplesmente não recebeu. No máximo leu a Constituição uma vez, mas ainda sim acabou com sono em razão de tanto positivismo, de tanta dogmática, de tanto legislativo.
            Também não viu um graveto queimando, nem mesmo Deus apareceu-lhe à vista. Na realidade, eu me recordo que certa vez quando criança ele viu um graveto pegando fogo, saiu correndo achando que o mundo iria acabar, tropeçou em uma pedra e caiu de cara no chão. O resultado: doze pontos na testa.
            Mas não menosprezarei nosso herói em comparação ao Moises bíblico, essa não é minha intenção. Nosso Moises é brasileiro, gostava de ver o carnaval pela tevê juntamente com uma roda de amigo, cerveja e alguns petiscos; e além de tudo nunca vi sábio de boteco mais sagaz. E assim ele falou, como Zaratustra, igual Nietzsche:
            “Eu me esqueci o que ia falar.”
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1- Aniversário amanhã em companhia de alguns livros...aniversário no meio da semana e no final do semestre é uma mistura complicada.
2- Dizem que sou Sagitário. Fulano de tal é escorpião, Beltrano é capricórnio, João é Gêmeo e ela é virgem. É, acho estranho esses "adjetivos zódiacos".
3- Pensando bem, meu signo não é dos piores, haha
4- Chupa Unibambi!  
5- Boa noite, Franca.

"Mauro Bundinha queria fazer um som, não deu jeito ele foi ser garçom."

Guilherme" Varga.
 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Alcohol


Sentou-se ao bar como se não quisesse nada. Pediu uma dose como se nada tivesse para fazer, problema que se encerrou quando em sua mão o liquido incolor chegou. “É das boas, pode virar”. Perguntou-se qual a utilidade de virar e encerrar-se de uma vez algo que é de qualidade.
Antes de beber começou até mesmo a divagar sobre o assunto, não era homem de gostar de deleites rápidos, mesmo quando estes acabavam fazia questão de dar seqüencia aquilo que finado já estava. E gostava tanto de alongar as coisas que alongava mesmo o desgosto e tinha gosto do que fazia. Alongava tudo, até sua escrita, torta e desajustada, humana com uma mascará de comédia, uma divina comédia.
“ao santo”, jogou um pouco da pinga de lado e mandou para dentro de um gole só. O líquido passou ardente dentro de seu corpo esquentando o coração, o estomago e diria até um pouco o pulmão. Começou a pensar o porquê jogou metade do um real e cinqüenta centavos para um santo, oras essa, nem católico o era. Adormeceu a razão.
Talvez o fizesse em homenagem aquele momento de sua vida, aquele milagre que aconteceu. Olhava feliz, com um sorriso empolgante, quase infantil, para o macacão sujo de tinta, para as mãos grossas pela poeira. Sorria na simplicidade.
“Manda outra”. Já com a segunda não fez rodeios, provavelmente em razão do dono do bar não qualificá-la como das boas não teve dó, mandou para dentro e soltava alegria para fora. Pensava nos presentes que ia comprar, na felicidade do olhar de sua filha, no sorriso acolhedor de sua mulher.
Pensava também naquele carro que poderia pagar em várias prestações, naquela reforma que sua casa tanto precisava. Sentia que tudo podia, tudo construiria, dos prédios e mansões a seu próprio casebre. Não havia tempo a perder, sentiu que o santo lhe pedia mais um gole.
“Desce outro”. “Calma, rapaz...”. “Não é culpa minha, é o Santo que pede, é coisa de religião, sabe?” O dono do bar riu, aliás, ria mesmo que fosse um comentário típico de uma situação que via todos os dias. Deus salve os donos de bar que em seu labor tornam-se de psicólogos a enfermeiros, e de enfermeiros a seguranças de fim de festa.
Ele olhava as garrafas e pensou como seria legal estar em um “saloon” daqueles de velho oeste que tanto viu na tevê; Ele ganhou de seu avô certa vez em sua recente infância alguns bonecos apaches e de soldados com os quais gastava a tarde toda em batalhas épicas de índios e soldados contra pedaços de gravetos mutantes e bonecas de pano de sua irmã.
Lembrou-se de sua irmã enquanto bebia mais outra dose. Ela ficaria feliz de ver seu novo estado, seu novo emprego, seu rumo na vida. Mas a saudade lhe doeu o peito e logo uma lágrima sapeca escorreu-lhe a face.
            “Faz dois anos que não vejo minha irmã. Ela ficou no sertão junto com toda minha família... é triste, mas ainda tenho Antonia em minha vida...Oh Antonia, minha mulher”. O Dono do bar ouviu tudo diligentemente balançando a cabeça igual a um psicanalista, e como função de tal aconselhou “Olha homem, melhor você retornar a sua casa, sua mulher deve estar preocupada, o tempo passa, quando sentado nessa cadeira aí, mais rápido do que quando se está na labuta... Vá homem! Segue sua mulher!” Em uma épica cena de filme, pelo menos pela visão Dele, ficou comovido pelo conselho e decidiu que iria para casa, que iria ver Antonia.
            Pagou o que devia com moedas de um real e passou pela porta com o peito estufado como se estivesse a enfrentar uma aventura em uma selva distante. Achava estranho como a calçada estreitava conforme andava, mas isso, com toda certeza, era culpa do novo prefeito.
            Culpado este também por ter permitido que os carros passassem tão perto dos transeuntes. “Onde já se viu?! Estou na calçada e carros a me rasparem!” Achou estranho o fato de a calçada estar mais escura, mas já havia desejado muito mal ao prefeito e não era da sua índole praguejar demais.
            Tropeçou em uma pedra, em um bueiro e em um cachorro. O cachorro rosnou, a pedra também o faria se pudesse, e ele começou a rezar. Com toda força que podia rezou e o cachorro nada fez além de latir. Seu anjo da guarda era dos bons.
            Ficou pensando em Antonia, na felicidade que seria tê-la nos braços novamente, envolver suas curvas entre suas mãos, beijar-lhe a boca e dizer palavras de amor. Pensou talvez que ela estaria o esperando, provavelmente preocupada, ou possivelmente brava por ele ter ido tomar uma dosinha inocente... “Mas ela há de entender, foi uma dose para a felicidade e não para a tristeza, a dose era pra ela, era por mim...”
            Ele continuou andando, um passo após o outro, uma queda, uma ajeitada na roupa, uma volta à marcha... E isso demorou alguns minutos. Como mágica, o caminho do bar à sua casa se encurtara. Soltou um suspiro feliz por chegar em casa.
            Abriu a porta, ligou a luz da sala, foi a caminho do quarto, encostou-se ao batente, deu uma pausa antes de iluminar o cômodo, tirou o macacão, olhou ao espelho, o estomago começou a doer, abraçou o vaso, lavou o rosto e jogou-se na cama como o mais digno trabalhador em seu sagrado momento de repouso. E de Antonia, nunca mais ouvir-se-ia falar.
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1- Final de semestre, nunca posto, só cismo de postar na correria, mas daí vem a graça...
2- Aniversário perto, é rapá, vinte anos nas costas...preferia vinte reais.
3- E não se vê nada da minha janela há não se neblina e pontos de luz, que antes chamvam postes.
4-  http://vimeo.com/16641689 recomendo, assistam.

"Dormindo na estrada, no nada, no nada, e esse mundo é todo meu, mambembe, cigano..."

Guilherme" Varga.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Assim como pensava Goethe.


Ele andava na rua, na escuridão, pensava em mil coisas e no final não pensava em nada. Pensava que a noite estava fria, que o mundo era uma grande laranja giratória e que ele estava um bagaço humano. Suas pernas doíam, seus joelhos já gastos diziam “Cara, pare de andar”, mas sorria ao passar por bares da noite com suas senhoras da vida e suas marcas de expressões.
            Uma até chegou a encarar seus olhos que estavam atrás dos óculos redondos, ele chegou a parar, e em poucos minutos se comunicaram com o pensamento, nenhuma palavra saiu, nenhuma boca se abriu, nenhuma mandíbula rangeu e nem os dentes se bateram. Tudo em palavras imaginativas que logo tomavam forma na cabeça dele.
- Oi, tudo bem?
- Ótimo e com você? Bonitinho, faço por quinhentos cruzeiros...
- Pode ser dois cruzeiros e um café no final?
            E nisso dando risada de sua própria mente (e sorte) saiu a caminhar, com passos curtos, com as pernas curtas que os Deuses haviam lhe conferido. Começou a fazer frio, colocou uma das mãos no bolso do blazer e um arrepio lhe tomava a espinha.
            Um mendigo, daqueles clássicos que dormem encima de um papelão com suas barbas de sabedoria e seus roncos, uma garrafa de pinga ao lado e um cobertor ralo nas pernas. Pensou que poderia conversar com aquele senhor, saber do seu passado, da sua vida, de seus filhos ou filhas...até mesmo se uma dessas fosse bela, tomar-lhe a mão e outras partes do corpo para junto de seu ser.
            Por um minuto, aquele senhor deitado lembrou-lhe velhos profetas, não falo de Moises, falo de Abrãao que revoltado por ter povoado um mundo que hoje vive em guerra decidiu virar um ermitão, um ser isolado, ele, seu cobertor e uma garrafa de cinqüenta e um.
            Mas não, achou melhor nem mexer com o pobre velho, pensou que se estivesse no lugar de tal, não iria querer um jovem adulto que não tinha nem um tostão pra cerveja lhe aporrinhando o saco. É obvio, pensou em pegar a pinga e sair correndo, por mais que sua veia universitária pedisse que fizesse isso, isso sim seria uma crueldade maior, maior mesmo que acordar o pobre senhor.
            Continuou caminhando, passou por um terminal vazio, imaginou como estaria lotado de ônibus e pessoas apressadas na segunda feira, e se viu como um vagabundo que dormiria até o meio dia para só a tarde pensar em estudar.
            Passou por uma ponte, daquelas antigas feitas com pedra e óleo de baleia, pensou quantos já não passaram por aquele chão, quantas carruagens da época do império não pararam ali. Aliás, pensava se D. Pedro II não havia caminhado sobre aquele chão, ou se seu avô não tivesse chutado umas pedrilhas por ter tomado um toco de sua avó.
            E nessa tormenta de pensamentos, parou, olhou para o lado e pensou como seria bom uma companhia feminina caminhando ao seu lado, principalmente pelo frio que fazia, pela chuva que começava a cair...
            Parou em frente a uma casa, sentiu um belo aroma e tinha certeza que não era de terra molhada, de dentro saiu uma bela moça com cabelos escuros e olhos escuros. “- Estava inquieta no meu quarto, não pude deixar de vir aqui.”
            Ele sorriu, seu pensamento se fez matéria...
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1- Então...pra quem pensou que eu não iria postar, mais em uma tentativa de surpreender do que de postagem de fato, aqui está.
2- Haha, é, eu não consigo entender, fato, o mundo dá voltas, meu amigo...mentira, você que bebeu demais.
3- "Uma alma pode ter influência decisiva sobre outra por meio de sua presença silenciosa, da qual posso relacionar muitos exemplos. Em geral acontece comigo, que quando estou caminhando com um conhecido e, se tenho uma imagem viva de alguma coisa em mente, ele de súbito começa a falar da mesmíssima coisa." (Johann Wolfgang von Goethe)
4- Não fiquem acanhados, podem comentar, ganham até pontos por isso, olha só que legal... haha
5- .

"Break on through to the other side."

Guilherme" Varga


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Ponto de Ônibus


Chovia absurdamente. Os céus pareciam desabar sobre as cabeças dos pobres mortais que ali ficavam ensopados, xingando todos em coro São Pedro por essa benção logo em uma segunda-feira de manhã.
            Cabe fazer uma ressalva no todo. O todo aqui tem sua parte diferente e lá estava, visto de cima, um pequeno ponto em meio aquela aguaceira toda. O menino de guarda chuva preto ali estava como uma raridade em meio a tantos esquecidos e cabeças molhadas. Estava ali a rezar que um ônibus parasse naquele ponto e se parasse tivesse como destino o centro da cidade.
            Exceções nunca se fazem únicas, por uma estranha lei cósmica de atração trazem consigo outras exceções que no final viram regra. Aquela parada de ônibus, vista de cima, adquiriu um novo ponto colorido, colorido de alguma cor que esse autor não se recorda qual era, azul ou rosa, quem sabe... (e isso não importa).
            Uma guria com uma guarda chuva. Simples e imprevisível assim. Isso era coincidência demais para um dia em que o noticiário meteorológico previu Sol. Ela estava ali com um guarda chuva tal qual ele estava e bem próximos. Um ônibus parou e dois lugares no banco da parada vagaram.
            Ele logo foi ali e sentou, confortando seu traseiro da melhor forma que pôde.
- Posso me sentar aqui? – Ela perguntou fechando seu guarda chuva. Ele simplesmente deu espaço em forma de um sorriso discreto de canto de boca.
            Ela era mais alta que ele, talvez uns cinco a dez centímetros (e não perguntem como mediu); tinha olhos negros expressivos tão quão olhos claros são, mas com o charme do mistério. Sorriu de volta ao gesto gentil do garoto, um sorriso belo, encantador na definição do guri; e conhecido...
            Ele olhava para o teto, reparava no suporte de lâmpada sem corpo que o ocupasse. Ficava reparando no barulho ritmado e insistente que a janela fazia quando o ar lhe empurrava. Não importava, era daqueles que não conseguia utilizar quatro sentidos ao mesmo tempo, era um homem na concepção do termo, só conseguiria olhar, sentir o cheiro e o tato.
            No olhar reparava além do suporte de lâmpada vazio algumas pequenas rachaduras no teto, já no olfato tudo era o cheiro dela e no tato suas pernas entrelaçadas, abocanhadas pelas dela.
            Por um momento tudo era ela, claro e piegas assim. Ela dormindo ao seu lado com a cabeça encostada no ombro dele em um encaixe perfeito, suas pernas pesando sobre as dele e sua respiração sendo sentida por ele.
            Nisso começava a entender o porque de tantos poemas e escritos com rimas fracas de escritores comuns, tanta idolatria em relação ao amor e principalmente a uma singela noite de sono com a companhia de uma mulher ao lado.
            Mesmo assim pensava que precisava ir, precisava deixá-la descansar.
- Não, não vai, fica mais – disse ela em um repentino despertar segurando ele como fazia tantas noites com seu travesseiro.
            Ele não titubeou em ficar ali, talvez era isso que esperava ouvir, um pedido para alongar aquele momento. Assim ficou ali, com uma cabeça encaixada em seu ombro e o braço dela sobre seu peito...
            Despertou de seus próprios pensamentos, um ônibus para uma cidade vizinha acabara de parar para o embarque de passageiros. – Eu vou nesse, até mais. – disse ela. Sem reparar, enquanto viajava em seus pensamentos ficou olhando para aqueles olhos hipnotizado, talvez ela devolveu o mesmo olhar encarando-o também, talvez não, isso nem o garoto nem esse autor pode dizer, ambos se perderam. – Tchau – pensou e ficou olhando ela subir no veículo.
            O motorista fechou as portas e o garoto do guarda chuva preto ficou a pensar que era ela! Era ela a garota do sonho...sonho do qual ele despertou noite passada.
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1 - InterUnesp - Well, isso que me faz ter orgulho de dizer, PORRA EU SOU UNESP.
2- Unesp Mato Grosso - O Pantanal é nosso, CHUPA SUL!
3- Alguém tem a receita para retornar a realidade do direito? Uma prova de financeiro segunda agora, talvez?
4- OH MIRO. Um abraço aos intrépidos incautos munícipes da acolhedoura Araraquara e seu cheiro de laranja.
5- e pra terminar... Hey, Bauru vai...

"Show me the way to the next whiskey bar..."

Guilherme" Varga

domingo, 29 de agosto de 2010

Das pernas às estrelas, o alívio.


Sentado, como não deveria ser diferente por sua condição, olhando as estrelas ficava a lembrar. O céu lhe parecia sorrir e estava tão belo quanto aquele que podemos ver da janela desse apartamento. Ele ficava ali contemplando aquela imensidão. Alguns diriam que aquele jovem só estaria admirando aquela beleza estrelar em um ato puro e inocente, do qual se dedicava exclusivamente a flertar com senhoras antigas da qual o brilho lembra astros de um cinema grande, profundo e gratuito.
            Ouso, perdoem-me a intromissão, discordar destes que acreditam na pureza do ato. Não, queridos leitores, não creio que aquele garoto, sentado lá fora, a beira da piscina estava apenas olhando o céu, deixando sua mente vazia e límpida igual um rio de águas claras. Isso é uma utopia que dezenas de escritores antigos, talvez por um idealismo ou talvez por bobice mesmo, quis enfiar-lhes goela baixo.
            Comparo aqui este caso com aqueles dos filmes de romance meloso no qual a mocinha e o rapazote (que as vezes podia ser uma coroa e tal rapazote um velho) se beijam e se olham em uma pureza de sentimento, do qual não existe. Ao imaginar uma cena de dois adolescentes apaixonados se beijando, não existe a contemplação e a sensação do beijo unicamente (o que não excluímos que ela existe, só não é única). Ele pensa que talvez estivesse com mau hálito ou que estaria a beijar mal; enquanto ela imaginava o momento posterior aquele beijo e se iria amanhecer grávida.
            E é assim que confesso minha descrença na pureza de atos simplesmente e da qual me baseio, igual se fosse cientificamente, a uma bibliografia, que aquele guri não estava simplesmente a embriagar-se das luzes noturnas. Digo que em sua cabeça passavam, neste instante, pensamentos de um passado do qual talvez nunca esquecerá.
            Era uma noite igual a esta que vemos no céu. A lua em seu momento egoísta se coloca no centro da imensidão azul, mas ingloriamente não podendo ofuscar o brilho daqueles astros velhos que aqui chamamos de estrelas. Estava Ele, Augusto, Pedro, Neto e mais um do qual não tinha contato maior, só sabia que era um amigo novo que Pedro trazia para o grupo e do qual a irmã era a maior gostosa da escola.
            Alias, devo dizer que o sonho dele era ter aquela bela menina, na flor de seus vinte anos, ou seja, mais velha o suficiente para não dar-Lhe bola, em sua cama. Mas não cabe aqui dizer de seus sonhos românticos, mas sim de seus pensamentos, e de seu passado, e de seu destino.
            Estava Ele e seu grupo, sua turma andando pela rua, já era tarde e passavam por um lugar do qual faria lembrar o sentido da palavra escuridão. Estavam conversando animadamente, estavam embriagados; tão embriagados que Augusto em um momento de graça abaixou as calças e saiu correndo tentando imitar um pingüim.
            E tamanha era a felicidade, tamanha era a juventude. Essa juventude que ao mesmo tempo traz luz, mesmo em locais escuros. Mas talvez, tamanhas luzes os cegaram para ver que não estavam no bairro mais tranqüilo daquela cidade.
            A cidade era relativamente grande, tinha lá seus trezentos mil habitantes e começava a despertar a cobiça de comércios ilícitos. Mas isso não interessava àqueles cinco jovens que mesmo assim brincavam e tentavam correr igual um pingüim.
            Nisso um barulho, um estouro seco ao longe. Augusto ainda continuava andando com as calças nos pés, e Pedro virou para o lado. Ele, aquele do qual estamos a revirar as memórias, caiu. Olhou para o céu e pensou que estava belo, mas não se lembrava de ver o céu vermelho antes.
            De suas costas saia em forma de correnteza o liquido vermelho cheirando ferro. Augusto parou sua brincadeira e, devido à embriaguez, demorou a entender a situação.  Neto, talvez o mais velho do grupo, correu para ajudá-lo. Uma bala perdida se encontrou em um lugar quente e vivo.
            Ele não sentia nada, o mundo parecia girar, e tudo que via era o céu. Não conseguia levantar, suas pernas não obedeciam, mas não se importou; sua embriaguez agora era diferente da do álcool, era quase que um encontro espiritual entre os vivos e os mortos.
            Aquele amigo de Neto do qual não lembrava o nome pegou o celular e ligou imediatamente ao resgate. Pedro e Augusto, por serem humanos e como todo humano pensar no próprio medo, imaginou seus pais e os castigos que levariam, mas após imaginado isso foi correndo ao amigo caído e que falava que as estrelas estavam lindas como os olhos azuis da irmã daquele amigo do qual não lembrava do nome.
            E depois disso, a única coisa que lembra era do som da ambulância e depois do choro de seus pais, e acordado, a sua perna dormente. Revoltara-se no primeiro instante, mas isso passou, agora estava debaixo daquelas estrelas, mesmo que em uma cadeira de rodas, mesmo que sem mexer um dedo se quer, estava embaixo daquilo que amava.
            Em um lapso de força, a mesma que fez Narciso se jogar no lago, mas agora devido a beleza do céu e não de si mesmo. Ele num esforço sobre-humano se jogou para frente com o braço em riste tentando alcançar as estrelas e deu de cara com o chão...
            Abriu o olho e viu pela janela uma fresta de luz. Balançou a cabeça como se tentasse acordar de vez. Olhou para o lado, olhou para o outro e viu seu armário. O celular ao lado da cama toca. Era Neto chamando-o para uma pelada de futebol. E ele, levantando-se para escovar os dentes, correu até o banheiro, lavou o rosto e foi colocar as chuteiras.
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1- Obrigado, SABESP...se eu fosse criança e não gostasse de banho, o agradecimento seria sincero.
2- Domingo...tédio...se o primeiro dia da semana já é assim, como serão os demais?
3- Normalidade as vezes me interessa...
4- UNSP chegando...é, vamos ver o que esse ano me reserva.
5- Sem mais.

"So if you're young and if you're healthy
Why not get a boat and come to Australia "

Guilherme" Varga

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ensaio sobre os Montes e a Lua.


Era noite de Lua cheia. Ela, a única a participar de um ménage à trois onde o ciúme não impera e do qual sobreviveu à anos e anos, estava imponente no céu, havia dobrado de tamanho e iluminava todas as almas; pobres almas, mortais invejosos que nunca chegaram a um relacionamento tão perfeito, tão absoluto, tão duradouro.
            Ele não se importava se ela estava lá, se sentia saudade de seu Sol ou se estava insatisfeita com a Terra, ele simplesmente a olhava. Um cigarro de palha na mão e um café do lado eram suficientes para ele, simples e modesto, se assustava como se contentava com pouco, mas no final sorria contente.
            Com um movimento angular do braço moreno levou o paieiro à boca, deu um trago mais longo do que o normal enquanto contorcia os olhos de leve. Divertia-se ao reparar desta mania e gostava disso toda vez, desde quando acontecia com o cigarro até a cerveja e ao beber água.
            Deixou a fumaça do fumo em seu pulmão por um instante e ficou a olhar a fumaça sair lentamente de sua boca. Achava curioso como a fumaça de um cigarro, de um incenso ou de um arguile era bela e trágica. Bela porque lhe lembrava as nuvens do céu, inalcançáveis por sua altura, mas com aquela fumaça lhe pareciam tão próximas; trágica por lhe lembrar as pessoas, as mais belas, que ao passar por sua vista desaparecem, evaporam de sua vida.
            Depois que toda névoa de tabaco dissipou, ficou olhando fixamente para a paisagem de sua janela. Ninguém andava naquela rua aquele horário, já eram altas horas e o único barulho que podia escutar era de sua própria respiração; e a única visão que poderia querer era aquela, daqueles montes a frente, verdes enegrecidos pelo véu da noite.
            Pensava se algum dia aquela paisagem acabaria, se aqueles montes em mar se transformariam, se a Lua, aquela tão imponente do começo desse relato, um dia se esconderia por de trás dos morros e das casas e das minas.
            “É provável... a Lua é uma mulher e mulheres, por mais que estejam satisfeitas por um longo tempo, um dia se tornarão insatisfeitas e quando este trágico dia chegar, D’us queira que este não chegue, mas quando chegar também irá abandonar todas as pobres almas masculinas da terra.”
            Isso tudo pareceu tonteira após voltar do céu e retornar ao seu café e ao seu paieiro que já havia acabado (ele nem notou que seu dedo quase queimou). Tomou um gole de café.
            Muita gente não aconselha tomar café antes de dormir, mas ele, como contrário as massas, como contrário a ele mesmo muitas vezes, decidiu tomar e tomando reparou que talvez fosse a solução à tristeza que sentia da despedida de cada dia, da tristeza que o dominava no amanhecer quando lembrava do dia anterior vivido...
            Mas mesmo com toda cafeína o sono ainda ganhou espaço, e os sonhos começaram-lhe a ser atraente e o luto pelo dia que morria dissipou aos poucos com a perspectiva de um sonho bom, de um Sol luminoso.
            Levou a caneca à cozinha, escovou os dentes, olhou no espelho, abriu um sorriso e deitou-se em sua cama ficando contente em ter a luz do luar como companhia.

“Sun, sun, sun, here it comes...” 
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1- Um conselho crianças: Andem de bicicleta...peguem uma ladeira e desçam, a liberdade mora no vento que bate em seu rosto.
2- Eu penso, quer dizer, eu sei...as coisas são simples, é isso.
3- O filme "A Origem", ouvi falar bem...alguém me confirma isso?
4- As músicas dos "Los Hermanos" fazem mais sentido agora...até o final da vida farão mais sentido ainda, não que eu espere, mas acredito nisso.
5- Prometo algo mais up amanhã, por enquanto preciso arranjar alguma desculpa pra minha insonia... acho que esse texto já começou a me ajudar nessa empreitada.

"He seemed impressed by the way you came in.
'Tell us a story,
I know you're not boring!'"

Guilherme" Varga

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os Deuses não são astronautas

Eu acredito que todo escritor tem dentro de si uma parte louca e outra megalomaníaca. Sim, e diria mais, a megalomania destes artesãos de palavras vai mais do que só se acharem grandes demais para que nada lhes acertem dentro de sua escrita (o que não me afeta, e isso se traduz na altura... humildade de berço). Não, isso não é limite.
            Diria que é uma “megalomania atéia”, daquelas em que Deus não existe, não naquele mundo que ele escreve. Tal mundo é seu, somente seu, fica dentro de sua própria cabeça e o destino, há, este não foge de suas mãos igual acontece a nós, pobres mortais.
            E citando nossas pobres almas leitoras, venho dizer que nós, enquanto espectadores de um mundo que foge do nosso controle, de palavras que nos levam as vezes forçadamente à cenas impróprias e muitas vezes de mal gosto (até porque qualquer cena da qual não queríamos que ocorresse, acaba tornando de mal gosto), somos todos masoquistas.
            Masoquistas ao ver coisas que não possuímos controle e mesmo assim, querer mais daquele mar de letras que podem nos afogar a qualquer momento, com alguma onda inesperada que acaba por derrubar a pequena jangada formada de papel que nos sustentam.
            Pobres fiéis que querem sentir a dor do papel, uma dor que não é sua, que é daquele senhor do século passado traído pela sua esposa, ou daquela mulher que sofria a espera do seu homem que vinha de além-mar e do qual, o autor já sabia, não iria mais voltar.
            E eles, os escritores, chegam ao ponto de serem cruéis, sádicos, nos deixam em plena expectativa, em uma curiosidade que nos corrói por dentro e molham nossos rostos com lágrimas quando querem, e muitas vezes, quando não queremos.
            Mas não os culpo por tudo isso, apesar deste lado megalomaníaco e sádico, devo elogiá-los; eles ainda nos proporcionam, quando estão em seu ápice de inspiração, momentos bons, paisagens agradáveis e sentimentos que talvez nunca sentimos (ou sentiremos).
            No final desse discurso, um tanto quanto protetor dos leitores contra os escritores e sua sina de nos levar por sentimentos através de palavras que nos deixam confusos e esperançosos sempre de algo; eu só posso concluir que tudo isso acaba com uma das maiores dúvidas da humanidade.
            Quem é Deus? Deus? Ele é um escritor.
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1- E no fundo, Deus sendo escritor escreve seu livro com uma gramática impecável, mas sua letra é tão ou mais torta que a minha...haha, não pude deixar de lançar o clichê
2- Meu Deus, Franca continua a mesma...
3- E o tempo sempre passa e voltamos ao status quo...o que não é tão ruim assim.
3- Há, é isso por hoje, companheiros... (estranho, cadê meu dedo mindinho?)

"My actions are dictated by the phase of the moon
The phase of the moon"

Guilherme" Varga

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Sra. Suíça Helvética

Certa vez, não me recordo aonde e quando, minha memória é péssima e por isso peço desculpa por não dar os devidos créditos, li que a Suíça teve quinhentos anos de paz e com isso só aprendeu a fazer relógios e lavagem de dinheiro. Algum engraçadinho levantaria a mão e diria “Há! Mas lá faz chocolate também!” Peço desculpa por acabar com sua ilusão, Papai Noel não existe e aquele chocolate que você deu pra sua mãe é de Gramado – RS.
Não minto que achei de uma certa maldade a frase, afinal… coitado daquele país, e de seus relógios e de seus bancos. Aliás, coitada da própria Suíça. Sim, dela mesma. Desde pequeno tenho a péssima (ou boa, depende do ponto de vista) mania de personificar coisas, objetos, países, palavras (e algumas vezes pessoas que deixaram de existir). E desta vez não foi diferente. Uma injustiça com a Suíça, uma senhora com um vestido de renda, olhos claros, loira e com umas gordurinhas a mais devido ao chocolate excessivo.
Vejo a como uma senhora já de idade avançada, mas fria. Por fora aparenta ter um calor de avó, aquela que sempre tem um pão ou um bolo saindo do forno para nos receber. Mas quando tirada as aparências, é uma senhora fria, amargurada pela vida, sempre encima do muro nas questões mais complicadas de sua existência.
Amargurada, pois ao invés de participar da vida, no máximo conseguiu ser espectadora de seus mil anos. Assistia tudo de cima do muro, balançando seus pés com um tamanco de madeira e olhando bombas passando por sua cabeça.
Às vezes penso que seria um exemplo de vida, e do qual eu deveria seguir, olhar a vida passivamente, controlando totalmente a impulsividade, limitar-me no meu campo de visão e de convivência. Saber que assim como os mil anos suíços, na vida passam pessoas e mais pessoas assim como nações formam-se e se desintegram, reinos caiem e imperadores morrem.
Mas é fato que não consigo ser assim… tenho um quê de belicoso, de vívido. Não sou indeciso e desde pequeno não consigo ficar somente encima do muro, aliás, nem mesmo subir em um muro eu conseguia direito (sedentarismo puro).
Voltando a Suíça, pobre senhora que não vive sua vida, mas da qual invejo por não fazer “besteiras” impulsivas e seguir em paz com toda sua caminhada.
Mas no final penso que talvez por mais “guerras” que passo, assim como qualquer outro país europeu além da Suíça, eu aprendo mais do que fazer relógios e virar paraíso fiscal. Além do mais, nos Alpes faz frio e o mar não lhes alcança…

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1- As eleições vão bem, aliás, excelente… temos um hipocondríaco, uma guerrilheira-bruxa, uma obcecada por árvores  e um louco formado nas Arcadas que quer fechar o congresso. Mas tudo bem, também sou hipocondríaco =]
2- Interunesp 2010? Há, sinto coisas boas sobre isso…
3- Quem precisa de twitter quando se tem isso daqui, exceto pelo fato que no twitter mais gente lê e menos gramática é solicitada.
4- O Mato Grosso me pareceu estranho, no céu nublado, o chão todo branco…se eu não soubesse que era poeira no céu, e algodão no chão, diria que fui pra Russia. Ah não, não dá mais, a Russia está mais quente que o Centro-Oeste.
5- Preciso de livros, aceito sugestões, presentes ou doações.
6 - http://migre.me/16iWp - A Elisa ainda tem razão sobre muita coisa, e eu deveria ouvi-la mais.
“A musa do pinóquio era bolchevista, A mais formosa melindrosa pega na suíça”
Guilherme” Varga