Chovia absurdamente. Os céus pareciam desabar sobre as cabeças dos pobres mortais que ali ficavam ensopados, xingando todos em coro São Pedro por essa benção logo em uma segunda-feira de manhã.
Cabe fazer uma ressalva no todo. O todo aqui tem sua parte diferente e lá estava, visto de cima, um pequeno ponto em meio aquela aguaceira toda. O menino de guarda chuva preto ali estava como uma raridade em meio a tantos esquecidos e cabeças molhadas. Estava ali a rezar que um ônibus parasse naquele ponto e se parasse tivesse como destino o centro da cidade.
Exceções nunca se fazem únicas, por uma estranha lei cósmica de atração trazem consigo outras exceções que no final viram regra. Aquela parada de ônibus, vista de cima, adquiriu um novo ponto colorido, colorido de alguma cor que esse autor não se recorda qual era, azul ou rosa, quem sabe... (e isso não importa).
Uma guria com uma guarda chuva. Simples e imprevisível assim. Isso era coincidência demais para um dia em que o noticiário meteorológico previu Sol. Ela estava ali com um guarda chuva tal qual ele estava e bem próximos. Um ônibus parou e dois lugares no banco da parada vagaram.
Ele logo foi ali e sentou, confortando seu traseiro da melhor forma que pôde.
- Posso me sentar aqui? – Ela perguntou fechando seu guarda chuva. Ele simplesmente deu espaço em forma de um sorriso discreto de canto de boca.
- Posso me sentar aqui? – Ela perguntou fechando seu guarda chuva. Ele simplesmente deu espaço em forma de um sorriso discreto de canto de boca.
Ela era mais alta que ele, talvez uns cinco a dez centímetros (e não perguntem como mediu); tinha olhos negros expressivos tão quão olhos claros são, mas com o charme do mistério. Sorriu de volta ao gesto gentil do garoto, um sorriso belo, encantador na definição do guri; e conhecido...
Ele olhava para o teto, reparava no suporte de lâmpada sem corpo que o ocupasse. Ficava reparando no barulho ritmado e insistente que a janela fazia quando o ar lhe empurrava. Não importava, era daqueles que não conseguia utilizar quatro sentidos ao mesmo tempo, era um homem na concepção do termo, só conseguiria olhar, sentir o cheiro e o tato.
No olhar reparava além do suporte de lâmpada vazio algumas pequenas rachaduras no teto, já no olfato tudo era o cheiro dela e no tato suas pernas entrelaçadas, abocanhadas pelas dela.
Por um momento tudo era ela, claro e piegas assim. Ela dormindo ao seu lado com a cabeça encostada no ombro dele em um encaixe perfeito, suas pernas pesando sobre as dele e sua respiração sendo sentida por ele.
Nisso começava a entender o porque de tantos poemas e escritos com rimas fracas de escritores comuns, tanta idolatria em relação ao amor e principalmente a uma singela noite de sono com a companhia de uma mulher ao lado.
Mesmo assim pensava que precisava ir, precisava deixá-la descansar.
- Não, não vai, fica mais – disse ela em um repentino despertar segurando ele como fazia tantas noites com seu travesseiro.
- Não, não vai, fica mais – disse ela em um repentino despertar segurando ele como fazia tantas noites com seu travesseiro.
Ele não titubeou em ficar ali, talvez era isso que esperava ouvir, um pedido para alongar aquele momento. Assim ficou ali, com uma cabeça encaixada em seu ombro e o braço dela sobre seu peito...
Despertou de seus próprios pensamentos, um ônibus para uma cidade vizinha acabara de parar para o embarque de passageiros. – Eu vou nesse, até mais. – disse ela. Sem reparar, enquanto viajava em seus pensamentos ficou olhando para aqueles olhos hipnotizado, talvez ela devolveu o mesmo olhar encarando-o também, talvez não, isso nem o garoto nem esse autor pode dizer, ambos se perderam. – Tchau – pensou e ficou olhando ela subir no veículo.
O motorista fechou as portas e o garoto do guarda chuva preto ficou a pensar que era ela! Era ela a garota do sonho...sonho do qual ele despertou noite passada.
----------------------------------------------------------------------------
1 - InterUnesp - Well, isso que me faz ter orgulho de dizer, PORRA EU SOU UNESP.
2- Unesp Mato Grosso - O Pantanal é nosso, CHUPA SUL!
3- Alguém tem a receita para retornar a realidade do direito? Uma prova de financeiro segunda agora, talvez?
4- OH MIRO. Um abraço aos intrépidos incautos munícipes da acolhedoura Araraquara e seu cheiro de laranja.
5- e pra terminar... Hey, Bauru vai...
"Show me the way to the next whiskey bar..."
Guilherme" Varga

Nenhum comentário:
Postar um comentário