Três garrafas estavam sobre a pia. Três garrafas vazias, por suposto. A única garrafa que estava quase cheia era a da nossa mesa, da qual logo estaria também sem líquido algum. Naqueles dias nenhum recipiente de vidro de seiscentos mililitros estaria aberto e totalmente cheio. De certo um pouco vazio, um pouco cheio, mas isso depende do ponto de vista do observador.
Cheio, no ponto de vista do pessimista; vazio, é obvio que se tratava de um otimista. E lógico, eram três garrafas da mesma marca. Naqueles dias não poderia ser diferente, aquela marca era a preferência e, devido à uniformização da clientela, não poderíamos optar por outra empresa.
A geladeira vermelha estava coberta por alguns adesivos, alguns imãs daqueles chatos que recebemos em cada entrega em domicilio na forma de brinde. Brinde não bem recepcionado, mas que na hora do sufoco, na hora de precisamos de uma boa marmita, se faz bem útil.
É lógico que na geladeira vermelha não estavam apenas imãs e avisos de lugares que entregam marmitas a preço cômodo. Não seria adequado falarmos que os avisos só falavam de marmitas. Tinha também a propaganda daquele restaurante com aquele prato que me enche a boca de saliva só de pensar, mas citamos, pela prática, pela utilidade eventual naqueles dias, as marmitas.
E aquela garrafa antes quase vazia, já estava agora de fato sem liquido algum. E assim, misturava-se mais uma garrafa à grande ode universitária, uma pomposa homenagem ao ano que se encerrava.
Por suposto não estávamos de branco. Seria ridículo dois universitários bebendo um pouco de cerveja e conversando sobre assuntos metafísicos (uma forma de revolta em relação ao método cientifico) estarem de branco somente para aquela ocasião.
Não era final de ano de fato, mas o era de direito. O ano letivo que se acabou, as matérias que passaram, podia não ser na prática, mas de direito o ano se encerrava, acabava assim como a cerveja.
- Eu não me vejo igual ao início do ano, aliás, penso que mudei bastante e você?
- Acho que também, querendo ou não um ano é muita coisa e este... há...este acabou.
- Acho que também, querendo ou não um ano é muita coisa e este... há...este acabou.
E assim como o ano, várias coisas se acabam, mas mesmo assim não consigo crer o fim sem a prévia de um início. Até mesmo no fim do mundo, naquele apocalipse que algumas profecias da America colombiana estimam ser em 2012, eu vejo um recomeço, no fim do ano, trezentos e sessenta e cinco dias virão.
- Cadê a cerveja?
- Acabou... podíamos ter pego mais, não?
- Pois é, uma pena.
-Mas valeu.
-Concordo.
- Acabou... podíamos ter pego mais, não?
- Pois é, uma pena.
-Mas valeu.
-Concordo.
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1- Férias. Tá divertido até.
2- 2011 começou bem até.
3- e eu peguei mania de falar até...menos mal, adeus seria pior haha.
4- Ah, lembrando crianças, falta apenas um ano para dois mil e doze, aproveitem....hauhauhauhuaha (eu sou meio nostálgico, me divirto com essas previsões antigas).
5- Sem mais.
"Eu quero ligar, eu quero um lugar ao sol de Ipanema, cinema e televisão."
Guilherme" Varga
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