quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A Neblina

Era o inverno de 1978, minha família saiu de férias e decidiu que era hora de viajar. Não sei quem foi que inventou essa regra, mas família reunida e de férias tem de viajar, caso contrário ou não está de férias, ou não é família, ou este autor está de veras muito errado. O céu estava limpo ao sairmos de nossa cidade, as meninas acenavam (na minha cabeça choravam) ao me ver saindo de férias; ouvi alguns fogos de artifícios ao sair da cidade, mas não achei que era algo que eu deveria me importar. Estava frio, muito frio, batia os dentes de baixo com os de cima e nem minha jaqueta de couro conseguia dar cabo do meu frio. O tédio se apossava da minha mente a cada quilometro rodado e aquilo me perturbava; comecei a cantarolar alguma musica do John (Lennon) e me transportar para um “strawberry fields”. Olho para o lado e vejo morangos, “chocante!” eu grito e meu pai grita também, mas outra coisa. Nessa época eu tinha 19 anos, queria mudar o mundo e tinha acabado de aprender a dirigir. O que o fato de mudar o mundo com dirigir tem haver nunca soube dizer, mas sei que eu mudarei o mundo com isso ainda. Talvez compre uma perua velha pintada de vermelho e amarelo, uma foice e um martelo, e seqüestre (sim, com trema. Em 1978 não havia reforma ortográfica) um embaixador americano. Eu dirigia muito bem, mas nunca andei na estrada. Continuava a cantarolar alguma coisa, agora algo do Jackson Five ou um desses conjuntos de um monte de cantor, sem instrumento quando meu pai diz “Filhão, chegou o grande dia…você vai pegar meu carro” encostando em seguida no acostamento. O que?! Tudo bem, eu ainda vou comprar minha perua velha e sair por aí apostando racha pra espalhar a revolução, mas meu velho pirou. Comecei a tremer. “Pega logo esse volante, muleque” ele sorri. Eu sorri também, quer dizer, eu acho. Liguei a seta, um caminhão passa e faz tremer minhas pernas (eu juro que foi o caminhão que fez elas tremerem, juro!). Sai ainda tremendo (em razão do caminhão, só por isso, insisto!) e comecei acelerar. Primeira, segunda, terceira e quarta. Brother, consegui chegar a quarta. Haha, isso começou a ficar fácil demais. Já começava a coçar o nariz, tirar a mão no volante, acenar para brotos imaginários na beira da estrada quando eu a visto… Não, não, a minha frenta não era uma mulher dirigindo um carro, nem uma mulher pedindo caro, enfim, não era uma mulher! Tinha curvas, ondulações, complicações e fosse difícil, talvez por isso confundisse com uma mulher, mas não, era uma serra, uma perigosa serra. Eu a vi e ela riu medonhamente para mim. Aquela serra ria e se contorcia enquanto eu suava frio. Enfrentei, fui com o nariz levantado e as calças borradas. Quando já no meio dela, quase que chegando ao final vejo uma neblina, fico impaciente quando entro nela… Mas tudo se transforma, começo a ficar calmo, uma sensação agradável me atinge, começo a ver o homem chegando na lua em pleno sol das 3 da tarde. Minha visão embasa, mas e daí, essa neblina é muito boa. Quando passa um pouco a neblina eu vejo que aquilo ali não é o que parece e sim uma fumaça de um furgão pintado de cores rosa, verde e umas flores enormes. A fumaça vem do furgão, é isso, HIPPIES! Espera, comecei a sentir que estava voando, quando fui acordado pelo povo do carro gritando e meu pai me xingando. O carro começou a cair da serra, minha mãe suava, minha irmã gritava e meu pai continuava me xingando. E eu? Sim, eu só tive tempo pra apenas uma conclusão. Viajei tanto que fui parar no céu. Malditos hippies!


Guilherme” Vargas de Freitas Silva
¹(Carnaval me lembra a máxima, Panis et Circense…deve ser porque imagino lá em Roma a escola de Julio Caesar entrando na avenida, enquanto na ala dos cristãos os leões comem solto e por ultimo vem Nero para incendiar a multidão.)
²(Meu deus, agonia é foda…Unesp é foda…Cursinho é foda…Meu deus, não não, é pecado.)
³(Não passei no exame da auto escola, isso porque eu sou tão bom, mas tão bom motorista que não sou eu que tenho que sair da  frente da baliza, ela que sai da minha…pena que dessa vez ela era surda.)
*(Pros mais incrédulos, assim como os ateus, que não acreditavam em uma atualização desse blog, está aqui a prova viva. E para os mesmo, digo o seguinte, que se o Fernando Henrique Carodos não fosse ateu, teria sido presidente de sampa…amém.)
**(Vou sentir saudade, mas muito saudade…só agradeço por ter vivido o que vivi, mas já tá foda :/ Bem, termino esses parenteses de um jeito que a pessoa  ao qual é destina isso ler, ela vai entender o que queria terminar por dizer.)
“Viva a revolução, McDonald’s grátis para as classes operárias já!” (hehe)




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