Tinha uma curiosidade fora dos parâmetros ditos normais. Um ser humano normal não se interessaria com tal afinco pelas suas curiosidades. Ele era daquele que tentava adivinhar pensamentos e passados. Era saudosista e nostálgico por excelência, lembrava do nome de todas as mulheres que havia se apaixonado, do sobrenome de todos os amigos e dos gostos de todos os inimigos. Talvez esta característica o fizesse ter curiosidade tão estranha.
Antes de revelar sua curiosidade, é interessante analisar seus raros gostos estranhos, o que faziam deles raros. Gostava de andar de ônibus, não por necessidade, por mero luxo. Andava só porque gostava do vento em seu rosto. Sua cidade era velha e fria, o saudosismo estampado nos edifícios e um bucolismo no rosto dos transeuntes.
E é nesta parte que revelamos o seu estranho interesse. Ao olhar as faces bucólicas das pessoas, tentava adivinhar sua história. Não era formado em Historia e muito menos se interessava por Sociologia, mas sentia um imenso prazer em tentar adivinhar as dores, as paixões, as riquezas, a sordidez e os anseios por de trás do passado daqueles pedestres.
Vejam aquele senhor de barba grisalha sentado na sombra daquela árvore. Antes de pensar que estou louco, espero que consiga imaginar tal figura. Era um pobre miserável, um mendigo sujo e esfarrapado, mas que não deixa de ser um nobre senhor. Ele ao olhar o mendigo ficava com sua curiosidade a flor da pele. Parou de caminhar no instante que viu a imagem daquele que parecia seu avô. Fitava-o com um rosto pensativo, esperava imaginar o porquê daquela situação.
O esfarrapado era humano, oh sim, e por isso podemos concluir que ele tinha um passado. Era assim que Ele pensava. Talvez aquele velho miserável já fosse rico, devia ter vivido em mansões, gastado dólares em bordéis, bebido champagne ou preferisse apenas beber cerveja, não por necessidade, mas por luxo e mesmo a cerveja seria uma Duvel.
Talvez tivesse uma família, filhos e esposa. Sua esposa poderia ser loira ou morena, não, parece gostar das morenas. Parecia sim que já tinha netos e que deixou a barba crescer apenas para no natal se fantasiar de Papai Noel e deixar seus pequenos puxar sua barba e gritarem: Papai Noel existe!
Ou mesmo não foi nem casado, preferia descansar em várias camas, em vários braços; disfarçando sua carência, apaixonava e se desapaixonava por todas aquelas que atravessassem seu caminho e fossem de seu gosto. Isso são hipóteses, não sabemos, mas ainda prefiro acreditar na hipótese da família.
Pode ser que esteja exagerando o passado, pode ser que aquele velho fosse apenas um miserável ex-presidiário que fugiu do cárcere. Não, se for este o passado do esfarrapado, prefiro acreditar que este já pagou a sua pena na prisão e hoje, por não ter se adequado ao dito normal e por ter adquirido certa moral enquanto encarcerado, esteja passando fome.
Mas se essa for a verdade, mesmo que passado sua pena na prisão corretamente, esteja ainda pagando. Está livre, é certo que está, mas não tem liberdade ao se lembrar que tem fome, que passa frio, que suas necessidades fazem-no ficar preso a um estado bruto de natureza, um estado que o definha através do tempo.
Talvez não seja nada disso que Ele pensava sobre o velho mendigo sujo e esfarrapado, pode ser outras historias, mais normais ou mais heróicas, um antigo herói de guerra ou um investidor passando tempos difíceis. Enfim, assim como o futuro nos reserva historia fantástica, o passado guarda outras coisas inimagináveis sobre o que se passou.
E como Ele conseguia fazer tantas hipóteses sobre o passado daquele mendigo de barba grande sujo e faminto deitado a beira da árvore na praça central? Simples, apesar de andar de ônibus por apenas luxo, apesar de tomar cerveja ao invés de champagne por opção; era um miserável da mesma forma, o que muda são apenas os tipos de misérias. O velho passa fome e Ele se corroí internamente em curiosidade.
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1-(Haha, sim, eu voltei a tomar vergonha na cara e a pensar em postar aqui…pelo menos serei mais regular, o que não é muito dificil de ser vendo como que tava antes)
2- (Sobre o twitter? Só pra falar um oi eu já gasto 144 palavras, imagina se eu tivesse só a opção de 144 caracteres. Não, obrigado, prefiro bloggar
)
3-(ahh, sem comentários extra hoje…sem criatividade total. Mas comentários de vocês são bem vindos
)
“We hope you enjoy the show”
Guilherme” Varga de Freitas Silva

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