sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ensaio sobre os Montes e a Lua.


Era noite de Lua cheia. Ela, a única a participar de um ménage à trois onde o ciúme não impera e do qual sobreviveu à anos e anos, estava imponente no céu, havia dobrado de tamanho e iluminava todas as almas; pobres almas, mortais invejosos que nunca chegaram a um relacionamento tão perfeito, tão absoluto, tão duradouro.
            Ele não se importava se ela estava lá, se sentia saudade de seu Sol ou se estava insatisfeita com a Terra, ele simplesmente a olhava. Um cigarro de palha na mão e um café do lado eram suficientes para ele, simples e modesto, se assustava como se contentava com pouco, mas no final sorria contente.
            Com um movimento angular do braço moreno levou o paieiro à boca, deu um trago mais longo do que o normal enquanto contorcia os olhos de leve. Divertia-se ao reparar desta mania e gostava disso toda vez, desde quando acontecia com o cigarro até a cerveja e ao beber água.
            Deixou a fumaça do fumo em seu pulmão por um instante e ficou a olhar a fumaça sair lentamente de sua boca. Achava curioso como a fumaça de um cigarro, de um incenso ou de um arguile era bela e trágica. Bela porque lhe lembrava as nuvens do céu, inalcançáveis por sua altura, mas com aquela fumaça lhe pareciam tão próximas; trágica por lhe lembrar as pessoas, as mais belas, que ao passar por sua vista desaparecem, evaporam de sua vida.
            Depois que toda névoa de tabaco dissipou, ficou olhando fixamente para a paisagem de sua janela. Ninguém andava naquela rua aquele horário, já eram altas horas e o único barulho que podia escutar era de sua própria respiração; e a única visão que poderia querer era aquela, daqueles montes a frente, verdes enegrecidos pelo véu da noite.
            Pensava se algum dia aquela paisagem acabaria, se aqueles montes em mar se transformariam, se a Lua, aquela tão imponente do começo desse relato, um dia se esconderia por de trás dos morros e das casas e das minas.
            “É provável... a Lua é uma mulher e mulheres, por mais que estejam satisfeitas por um longo tempo, um dia se tornarão insatisfeitas e quando este trágico dia chegar, D’us queira que este não chegue, mas quando chegar também irá abandonar todas as pobres almas masculinas da terra.”
            Isso tudo pareceu tonteira após voltar do céu e retornar ao seu café e ao seu paieiro que já havia acabado (ele nem notou que seu dedo quase queimou). Tomou um gole de café.
            Muita gente não aconselha tomar café antes de dormir, mas ele, como contrário as massas, como contrário a ele mesmo muitas vezes, decidiu tomar e tomando reparou que talvez fosse a solução à tristeza que sentia da despedida de cada dia, da tristeza que o dominava no amanhecer quando lembrava do dia anterior vivido...
            Mas mesmo com toda cafeína o sono ainda ganhou espaço, e os sonhos começaram-lhe a ser atraente e o luto pelo dia que morria dissipou aos poucos com a perspectiva de um sonho bom, de um Sol luminoso.
            Levou a caneca à cozinha, escovou os dentes, olhou no espelho, abriu um sorriso e deitou-se em sua cama ficando contente em ter a luz do luar como companhia.

“Sun, sun, sun, here it comes...” 
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1- Um conselho crianças: Andem de bicicleta...peguem uma ladeira e desçam, a liberdade mora no vento que bate em seu rosto.
2- Eu penso, quer dizer, eu sei...as coisas são simples, é isso.
3- O filme "A Origem", ouvi falar bem...alguém me confirma isso?
4- As músicas dos "Los Hermanos" fazem mais sentido agora...até o final da vida farão mais sentido ainda, não que eu espere, mas acredito nisso.
5- Prometo algo mais up amanhã, por enquanto preciso arranjar alguma desculpa pra minha insonia... acho que esse texto já começou a me ajudar nessa empreitada.

"He seemed impressed by the way you came in.
'Tell us a story,
I know you're not boring!'"

Guilherme" Varga

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