Sentado, como não deveria ser diferente por sua condição, olhando as estrelas ficava a lembrar. O céu lhe parecia sorrir e estava tão belo quanto aquele que podemos ver da janela desse apartamento. Ele ficava ali contemplando aquela imensidão. Alguns diriam que aquele jovem só estaria admirando aquela beleza estrelar em um ato puro e inocente, do qual se dedicava exclusivamente a flertar com senhoras antigas da qual o brilho lembra astros de um cinema grande, profundo e gratuito.
Ouso, perdoem-me a intromissão, discordar destes que acreditam na pureza do ato. Não, queridos leitores, não creio que aquele garoto, sentado lá fora, a beira da piscina estava apenas olhando o céu, deixando sua mente vazia e límpida igual um rio de águas claras. Isso é uma utopia que dezenas de escritores antigos, talvez por um idealismo ou talvez por bobice mesmo, quis enfiar-lhes goela baixo.
Comparo aqui este caso com aqueles dos filmes de romance meloso no qual a mocinha e o rapazote (que as vezes podia ser uma coroa e tal rapazote um velho) se beijam e se olham em uma pureza de sentimento, do qual não existe. Ao imaginar uma cena de dois adolescentes apaixonados se beijando, não existe a contemplação e a sensação do beijo unicamente (o que não excluímos que ela existe, só não é única). Ele pensa que talvez estivesse com mau hálito ou que estaria a beijar mal; enquanto ela imaginava o momento posterior aquele beijo e se iria amanhecer grávida.
E é assim que confesso minha descrença na pureza de atos simplesmente e da qual me baseio, igual se fosse cientificamente, a uma bibliografia, que aquele guri não estava simplesmente a embriagar-se das luzes noturnas. Digo que em sua cabeça passavam, neste instante, pensamentos de um passado do qual talvez nunca esquecerá.
Era uma noite igual a esta que vemos no céu. A lua em seu momento egoísta se coloca no centro da imensidão azul, mas ingloriamente não podendo ofuscar o brilho daqueles astros velhos que aqui chamamos de estrelas. Estava Ele, Augusto, Pedro, Neto e mais um do qual não tinha contato maior, só sabia que era um amigo novo que Pedro trazia para o grupo e do qual a irmã era a maior gostosa da escola.
Alias, devo dizer que o sonho dele era ter aquela bela menina, na flor de seus vinte anos, ou seja, mais velha o suficiente para não dar-Lhe bola, em sua cama. Mas não cabe aqui dizer de seus sonhos românticos, mas sim de seus pensamentos, e de seu passado, e de seu destino.
Estava Ele e seu grupo, sua turma andando pela rua, já era tarde e passavam por um lugar do qual faria lembrar o sentido da palavra escuridão. Estavam conversando animadamente, estavam embriagados; tão embriagados que Augusto em um momento de graça abaixou as calças e saiu correndo tentando imitar um pingüim.
E tamanha era a felicidade, tamanha era a juventude. Essa juventude que ao mesmo tempo traz luz, mesmo em locais escuros. Mas talvez, tamanhas luzes os cegaram para ver que não estavam no bairro mais tranqüilo daquela cidade.
A cidade era relativamente grande, tinha lá seus trezentos mil habitantes e começava a despertar a cobiça de comércios ilícitos. Mas isso não interessava àqueles cinco jovens que mesmo assim brincavam e tentavam correr igual um pingüim.
Nisso um barulho, um estouro seco ao longe. Augusto ainda continuava andando com as calças nos pés, e Pedro virou para o lado. Ele, aquele do qual estamos a revirar as memórias, caiu. Olhou para o céu e pensou que estava belo, mas não se lembrava de ver o céu vermelho antes.
De suas costas saia em forma de correnteza o liquido vermelho cheirando ferro. Augusto parou sua brincadeira e, devido à embriaguez, demorou a entender a situação. Neto, talvez o mais velho do grupo, correu para ajudá-lo. Uma bala perdida se encontrou em um lugar quente e vivo.
Ele não sentia nada, o mundo parecia girar, e tudo que via era o céu. Não conseguia levantar, suas pernas não obedeciam, mas não se importou; sua embriaguez agora era diferente da do álcool, era quase que um encontro espiritual entre os vivos e os mortos.
Aquele amigo de Neto do qual não lembrava o nome pegou o celular e ligou imediatamente ao resgate. Pedro e Augusto, por serem humanos e como todo humano pensar no próprio medo, imaginou seus pais e os castigos que levariam, mas após imaginado isso foi correndo ao amigo caído e que falava que as estrelas estavam lindas como os olhos azuis da irmã daquele amigo do qual não lembrava do nome.
E depois disso, a única coisa que lembra era do som da ambulância e depois do choro de seus pais, e acordado, a sua perna dormente. Revoltara-se no primeiro instante, mas isso passou, agora estava debaixo daquelas estrelas, mesmo que em uma cadeira de rodas, mesmo que sem mexer um dedo se quer, estava embaixo daquilo que amava.
Em um lapso de força, a mesma que fez Narciso se jogar no lago, mas agora devido a beleza do céu e não de si mesmo. Ele num esforço sobre-humano se jogou para frente com o braço em riste tentando alcançar as estrelas e deu de cara com o chão...
Abriu o olho e viu pela janela uma fresta de luz. Balançou a cabeça como se tentasse acordar de vez. Olhou para o lado, olhou para o outro e viu seu armário. O celular ao lado da cama toca. Era Neto chamando-o para uma pelada de futebol. E ele, levantando-se para escovar os dentes, correu até o banheiro, lavou o rosto e foi colocar as chuteiras.
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1- Obrigado, SABESP...se eu fosse criança e não gostasse de banho, o agradecimento seria sincero.
2- Domingo...tédio...se o primeiro dia da semana já é assim, como serão os demais?
3- Normalidade as vezes me interessa...
4- UNSP chegando...é, vamos ver o que esse ano me reserva.
5- Sem mais.
5- Sem mais.
"So if you're young and if you're healthy
Why not get a boat and come to Australia "
Why not get a boat and come to Australia "
Guilherme" Varga

Gandhi, por um momento te imaginei levando um tiro.
ResponderExcluirMas não precisa fazer isso. Não choque seus familiares. Apenas vá para a Austrália! hahaha
Brincadeiras à parte, criatividade em alta, rapaz!
Abraçoo